Archive for Agosto, 2008

- Preguiça Crónica -

PRIMEIRO EMPATE para o Chelsea de Scolari, hoje, diante do Tottenham. Muito mais do que o resultado, importa referir que já se nota a mão do técnico brasileiro na equipa, ou melhor, a falta da mão. Porque uma equipa que sempre primou pela organização e pela capacidade competitiva - mesmo quando as lesões arrasaram as tropas - passou a primar pela incapacidade de gestão da pressão. Se calhar convém relembrar a “Big Phil” que um jogo tem noventa e não quarenta e cinco minutos. É importante dotar uma equipa de preparação física, porque o futebol inglês é quarenta e cinco por cento físico, quarenta e cinco por cento mental e só dez por cento técnico. Não há desculpas para a falta de entrega, para o cansaço latenta e a desorganização gritante. Bem-vindo à Premier League.

- O Clássico com Cãibras -

TERMINOU O CLÁSSICO. Para trás 95 minutos (contando com os descontos) de grande intensidade, que não significou grande qualidade, pelo menos na chamada proporção directa. O Benfica entrou determinado a vencer cedo mas foram os ”dragões” que inauguraram o marcador, com um pénalti tanto duvidoso quanto ingénuo de Katsouranis. A partir daí o Porto cresceu e teve mais perto de alargar a vantagem do que o Benfica de empatar. Apesar disso, o golo de Cardozo acabou por surgir relançando a partida. A expulsão do grego do Benfica e as sucessivas lesões dos jogadores encarnados tornaram a partida mais fácil para os “azuis-e-brancos”. O jogo foi ganhando quase só um sentido mas que nunca se traduziu em perigo real. O Porto não foi capaz de aplicar a forma da gestão da posse de bola e o ataque organizado, modelo essencial quando se está em vantagem numérica. O recurso excessivo à jogada individual atrofiou as hipóteses dos campeões nacionais. O resultado foi curto para o Porto. Do lado do Benfica fica uma nota positiva para Di Maria, Léo e Carlos Martins, deixando as desilusões para Aimar e Reyes, claramente muito abaixo das potencialidades. Lucho, Rolando e Fucile encheram o campo. Segue a Liga dos Medianos.

- Liverpool, Benítez e vários milhões -

YOU’LL NEVER WALK ALONE é o hino desportivo mais famoso do mundo e coabita com a cidade mais emblemática inglesa, depois de Londres, Liverpool. Arredado dos título há várias décadas, os britânicos apostaram num treinador metódico e, porque não?, obsecado com os detalhes tácticos. Rafa Benítez vinha de um Valência revitalizado e encontrou em Anfield Road uma direcção que lhe pôs à disposição milhões de euros para reforços, num esforço financeiro só equiparado ao Chelsea. Nas competições a eliminar o Liverpool revelou-se letal, conquistando a FA Cup e a Liga dos Campeões, entre outros títulos. No entanto, na premier league, continua com dificuldade em se afirmar. À falta de uma estratégia desportiva capaz de superar esse handicap, Benítez vai gastando milhões, nem sempre com alguma coerência. As saídas de Riise e Crouch e a contratação de Robbie Keane são provas disso.

- Que Pitta de Razão -

A ideia é de Eduardo Pitta. Da minha parte limito-me a subscrever:

() Por que carga de água os bancos não contribuem para a segurança dos bens que têm à sua guarda? Em todo o lado, em cidades tão diferentes como Veneza ou o Rio, Nova Iorque e Vigo, Frankfurt e Barcelona, Paris e Atenas, Amesterdão e Madrid, Londres e Medellín, Edimburgo ou Roma, etc., em todo o lado, dizia, sempre que passo à porta de um banco, vejo segurança armada, ostensivamente armada, com ar de poucos amigos. A segurança privada (como a pública) nem sempre evita o pior. Mas dissuade.

- Café Ponto Org [1] -

O blogue KØNTRÅSTËS. ORG está a publicar um conjunto de conversas informais mantidas via e-mail com os mais diversos bloggers. O objectivo é conhecer um pouco mais do blogger que dá vida ao blogue e abrir uma cortina para o que move cada autor de blogue. O convidado de hoje é Guilherme Roesler, 22 anos, advogado, brasileiro, e autor do blogue «Ação Humana».

1. Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenômeno «blogue»?

GR. Em primeiro lugar, devo dizer que vejo a blogosfera como um canal alternativo de conhecimentos, que desempenha um papel importante na divulgação de informações que não são e que nunca serão veiculadas na grande mídia, bem como ainda um canal para divulgação de alguns assuntos que não encontrariam espaço nos comuns jornais impressos. Existem escritores que somente tomamos contato na blogosfera.

Muitos dos excelentes bloggers de Portugal e do Brasil dificilmente encontrariam a liberdade que gozam em seus blogues em um jornal de grande circulação, como o Expresso ou o Estado de São Paulo. Tanto em Portugal como no Brasil, o primeiro mais ainda que o segundo, veja-se o caso da licenciatura de Sócrates como um exemplo do que digo como a influência que está a ter os blogues.

No Brasil, nestes últimos dias, um dos jornais de maior circulação teve a idéia de ridicularizar a função dos bloggers, imaginando que eles apenas divulgam as informações já foram previamente publicadas nos grandes meios de comunicação. Esquecem, entretanto, que os blogues não são apenas veículos de informações, eles são muito mais do que isso, como disse.

Veiculam as informações com a opinião de quem escreve. Se naqueles veículos esta opinião explícita é suprimida em nome de uma pseudo-imparcialidade, nos blogues a opinião de quem escreve é a tônica dominante. Diria até necessária. Blogue significa liberdade, por isso mesmo incomoda tanto. Se Voltaire voltasse a este mundo, neste exato instante, certamente seria um blogger.

2. Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?

GR. Não tenho um tipo preestabelecido de blogues ou de assuntos. Às vezes, procuro no Technorati por nome, assunto, até encontrar algum tema que me interesse. Mas normalmente visito os blogues que costumo salvar nos meus favoritos, como o Portugal Contemporâneo , o Arte da Fuga, Da Literatura e blogue do Bruno Garschagen. São leituras obrigatórias.

Do Brasil acesso principalmente o blogue do Aluisio Amorim ( O que pensa Aluisio), que me faz dar algumas risadas, e do Orlando Tambosi, blogues que basicamente focam em temas mais imediatos da política nacional.

Costumo evitar aqueles blogues dos jornais, pois não vejo diferença alguma entre seus artigos postados e os publicados no jornal impresso. A linguagem, a expressão são todas as mesmas. Como toda e qualquer instituição presa a certas ” regras”, demora muito para se adaptar à realidade. Os dois são uma espécie de Blasfêmias escrito por uma única pessoa.

Outro blogue que costumo acessar bastante é o do jornalista Janer Cristaldo. Gosto muito da sua narrativa, e, quando conta as suas experiências em viagens, impossível não terminar de ler as suas crônicas. Recomendo vivamente.

3. O que o levou a criar um blogue?

GR. Sempre gostei de ler e escrever, o que não significa que estes escritos meus devessem ser publicados. Uma vez mostrei um artigo a um primo, que tratava a respeito de um tema de Filosofia do Direito (estava então no primeiro ano da Faculdade), e questionei-o em que site poderia publicá-lo. Ele não sabia de nenhum, mas disse que poderia ter uma página própria, chamado blogue, que poderia publicar o que quisesse.

Até então nunca tinha ouvido falar. Montei um, o Gazeta Cultural, que tratava de assuntos relacionados ao mundo dos livros e assuntos voltados ao mundo das letras, como resenhas e comentários. A tônica era basicamente literatura.

Fiquei oito meses com ele, até que vi que as pessoas que acessavam meu blogue estavam mais afim dos assuntos que menos eu tratava do que aqueles que eu realmente estava publicando. Foi assim que o Gazeta Cultural se transformou no Ação Humana, um blogue sobre economia e temas relacionados, sem pretensão alguma, haja vista não ser economista. Foi a melhor coisa que poderia ter feito!

4. Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?

GR. Gosto muito da idéia que alguém lê aquilo que escrevo. Normalmente, para as pessoas normais, quem lê os seus escritos são os professores em trabalho de escola. Dificilmente tem uma repercussão maior. O blogue acabou com tudo isso. Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode ter seus escritos lidos e comentados. E isso é muito bom. Para mim, o saldo é positivo, só tenho que elogiar. De um modo geral, quanto à blogosfera atual, noto que está melhorando em muito. Novas ferramentas estão sendo criadas para sofisticação dos blogues, novos blogues coletivos são criados (idéia que aprecio muito), juntando uma pluralidade de idéias e debates maior do que aquela que encontramos normalmente em um blogue de autor único. Em certa medida foi por isso que criei o Anarkokapitalism, que tem três bloggers.

5. Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?

GR. Dificilmente. Este é um debate que tem o mesmo cabimento daqueles que acreditam que os e-books vão substituir os livros impressos. Por mais que os blogues tenham a ganhar influência (e certamente é o que irá ocorrer), não creio que irão substituir o jornal que compramos nas bancas de jornal.

Além do que, não há nada mais gostoso que cheiro de jornal e a ponta dos dedos suja com a tinta do papel.

6. Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?

GR. Em diversos aspectos. Primeiro, que minha monografia do curso de Direito será a respeito de um tema que, se não fosse a internet e alguns blogues, dificilmente sairia. Segundo, que certos tipos de informações já ” esquecidas” pelos grandes grupos jornalísticos não podem ser encontradas tão facilmente como as que são encontradas na internet.

Nesta minha monografia, por exemplo, que espero virar um livro ( o tema será sobre a emissão privada de moedas contra o monopólio estatal - o plano original seria sobre a teria monetária do Pe. Juan de Mariana), a maior parte da bibliografia será de livros encontrados na rede, na sua totalidade em inglês.

Infelizmente, não dispomos no Brasil da tradução destas obras. O mesmo ocorre com Portugal, apesar da indústria de livros aí ser maior do que a do Brasil. Aí ainda pode-se apelar para outros paises, aqui não. Somos uma ilha. Tudo se complica.

E os blogues, em certa medida, nos avisam de toda e qualquer mudança ou inovação de que necessitamos para os temas que temos apreço. Além do que, tenho por saldo positivo as pessoas que conhecemos. Dificilmente trocaria e-mail com um jornalista que não tivesse um contato maior que teria com o advento dos blogues.

7. O que faz um bom blogue?

GR. Acredito que os blogues que visitamos. Veja eu, por exemplo, João - todo dia escrevo um artigo, e não tenho idéia alguma do que irei escrever enquanto não visitar alguns blogues. Três blogues são suficientes para que eu encontre um tema. Em seguida vêm os leitores, que comentam aquilo que escrevemos.

Gosto mais quando criticam do que quando agradam. Gosto quando o José A. Mostardinha, do blogue Estados Gerais, começa um comentário assim: Não poderia estar mais em desacordo contigo . Gosto disso, pois sempre tenho que dar explicações. Explicar a quem discorda é a melhor maneira de aprimorar o seu conhecimento e seu discurso.

Voltando ao início, é por isso que os blogues dos grandes grupos de informação nunca serão iguais aos blogues: nem para comentar te dão a liberdade de que necessita.

- BlogReview, revista da semana -

HÁ ALGUM TEMPO que não faço por ali uma revista de blogues. Fazendo mea culpa cá ficam alguns posts pescados.

→ “A encenação dos democratas foi muito americana, naquilo que isso tem de bom e de mau. O discurso de Obama foi forte, comovente, elegante, brilhante, com propostas num tom que se não ouvia desde Roosevelt. Se forem concretizadas em vinte por cento, o mundo ficará melhor. (). [Rui Bebiano, A Terceira Noite]

→ “O Estado não tem nada de legislar sobre afectos & amor – tem de limitar-se a salvaguardar contratos. Como o do casamento. O amor, a afectividade e o ódio não são assuntos do Estado nem do parlamento. () [Francisco José Viegas, Origem das Espécies]

→ “Hoje sabemos como essa primeira experiência evoluiu e como acabou, mas aquela meia dúzia de meses, em 1917, marcaram o século XX. Quase 60 anos depois, em Portugal, os bolcheviques, chefiados por Álvaro Cunhal, e os mencheviques, com Mário Soares à cabeça, defrontaram-se quase nos mesmos termos. Desta vez, durante mais de um ano, entre Abril de 1974 e Novembro de 1975 repetiu-se o combate ideológico e político no terreno, minuto a minuto. () [Tomás Vasques, Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos]

→ “() Por estes dias, pressente-se um período de transição face à reorganização das relações internacionais com a derrocada do mundo bipolar, algo bem mais estruturante da ordem política mundial do que o regresso da história pela porta dos fundos com o recrudescimento do integrismo islâmico. Um período de transição. Logo veremos para o quê. [Tiago Barbosa Ribeiro, Kontratempos]

→ “() Ferreira Leite está preocupada com o silêncio do primeiro-ministro sobre um assunto. É indiscutível que a líder do PSD é mais consequente: está calada sobre todos os assuntos. [Daniel Oliveira, Arrastão]

→ “Mas é bom lembrar que esta postura menos digna do Público e de José Manuel Fernandes, o seu director, não é de sempre, na relação entre o Público e o Governo há um antes e um depois, há um antes opa da Sonae sobre a PT e a decisão da Ota, e um depois destes dois acontecimentos que desagradaram a Belmiro de Azevedo. () [O Jumento]

→ “A nossa civilização corre perigo não só pelas alterações climáticas, mas também devido aos grandes desequilíbrios socio-económicos. Um mundo com tantas desigualdades crescentes é cada vez mais instável e a instabilidade implica perigo de existência. Se é certo que a sociedade actual ocidental (o terceiro mundo merece uma menção à parte) já não padece das graves desigualdades do princípio do séc. XX, também é certo que a maior parte das causas que deram origem às revoluções nessa época, continuam vigentes. () [Magnolia, Abafos&Desabafos]

- Sarah Palin -

A SENADORA DO ALASKA é a número dois de McCain, para um possível (mas não provável) governo republicano. A escolha não é independente da ideia de dar um rosto feminino ao governo, criando uma falsa imagem de modernidade aos conservadores americanos. É que Palin é contra o aborto. Não é preciso dizer mais nada.

- Clássico -

A CERCA DE 24 HORAS do grande clássico norte-sul o clima é de dúvida de ambos os lados. A vontade de vencer mantém-se ano após anos, agora com um dado novo: o Benfica tem o melhor plantel das últimas épocas. Quique Flores joga esta época o renascimento do Benfica ou a confirmação do clube como um histórico do passado. Os campeonatos decidem-se com os pequenos, mas um clássico é sempre um clássico.

- Os tais Discursos Relativos -

AINDA ONTEM escrevi por aqui sobre os discursos relativos da esquerda sobre a criminalidade, aliás, não só por aqui me tenho debruçado sobre os discursos hilariantes do Bloco de Esquerda, também no «A La Gauche» tenho feito questão de manter uma postura realista e crítica sobre a esquerda onde me enquadro ideologicamente. Passando em revista «O Jumento», sem dúvida um dos cinco melhores blogues portugueses, encontrei um post que nos remetia para um artigo assinado por João Teixeira Lopes e publicado no «Esquerda.net». Nele, os discursos relativos de desculpabilização do crime são elevados a níveis irracionais. Sem dúvida, é caso para dizer que a ”esquerda caviar” se tornou no «Elogio da Loucura». É o bobo político, senhores!

- Pigmentação: e num mundo a sépia? -

A comunidade negra dos EUA acusou Barack Obama de não ser “suficientemente negro”. Uma funcionária de uma junta de freguesia de Lisboa acusou o presidente de racismo por ele lhe ter chamado preta. Spike Lee zangou-se com Tarantino por causa da palavra preto, na década de 1990. O preconceito está nas palavras ou nas pessoas?

O DEBATE RACISTA perdura há décadas nas disciplinas sociais e nos fóruns académicos. Desde o racismo biológico ao racismo nascido das alterações no tecido urbano, a questão mantém-se: o que é politicamente correcto na linguagem? O debate germinou nos Estados Unidos e mais tarde no Brasil, países onde os movimentos negros ou africanistas ganharam dimensão social, na luta pela igualdade de direitos, pelo tratamento não-discriminatório e na afirmação positiva de uma identidade afro-descendente.

A questão racista é colocada em termos de cor, de pigmentação da pele, o que funciona num mundo a cores mas perderia significado se vivessemos num mundo a sépia. Como assim não é temos de abraçar o fim da discriminação com o material do quotidiano. É precisamente o poder simbólica das palavras que aciona a engrenagem. Porque motivo ‘preto’ é um termo racista e ‘negro’ não é? E ‘branco’, não é também uma alusão racista? Hoje, oficializou-se que o termo ‘preto’ é inaceitável e ‘negro’ é menos adequado, passando a vigorar os termos «afro-americano» e «afro-descendente», resultado de uma intensa luta pela afirmação étnica depois de séculos de regime escravocrata. Ora, é precisamente devido a esse sistema de exploração humana que permanece o jogo de forças simbólico entre minorias e maiorias, entre dominador e dominado, entre aceite e excluído. Só essa realidade justifica que o termo ‘branco’, usado negativamente pelas comunidades de origem africana, não seja afirmada e oficializada como uma manifestação racista. Adiante.

Em rigor, a carga simbólica atribuída às palavras, a sua conotação pejorativa, não é própria nem intrínseca às mesmas, a palavra preto significa isso mesmo, algo cuja cor é preta, escura. Não trás consigo qualquer carga racista. Por essa razão é possível dizer que uma parede é preta ou um chapéu é preto, sem estarmos a induzir uma carga racista perante o objecto. É, portanto, quando passamos para a dimensão humana que as palavras ganham novo significado, o signo, esse permanece inalterado. Isto quer dizer que o preconceito está na forma como as palavras são usadas, nos significados atribuídos aos signos, ou seja, o preconceito está no uso que cada um faz das palavras: quer seja, preto, branco, amarelo ou vermelho. É nas mentalidades que está a génese da mudança, não na alteração de termos. A carga permanece a mesma. Comecemos pelas pessoas.

[image by The Library of Congress]

- O Dia Q -

QUARESMA vê jogado o seu futuro nas próximas horas. Depois de uma novela intensa, em que todos queriam a mesma coisa (transferência do jogador para o Inter) mas os valores não agradavam em nenhum, Ricardo Quaresma deverá, finalmente, respirar de alívio, bem como o FC Porto, que encaixará assim os 25 milhões de euros desejados mais o talentoso médio Pelé (que poderá vender dentro de dois anos por uma elevada quantia). José Mourinho vê, assim, cumprido o segundo maior desejo para esta época, depois de falhada a contratação de Lampard.

- America still have a dream -

BARACK OBAMA tornou-se oficialmente o candidato democrata à Casa Branca. Num discurso redigido por ele mesmo, Obama reforçou a ideia de candidato indesejado: ”Sei bem que sou um candidato improvável. Não tenho o ‘pedigree’ ideal. Não construí a minha carreira nos corredores de Washington” e foi mais longe:

Há quatro anos contei-vos a minha história, da breve união entre um jovem do Quénia e uma jovem do Kansas que não eram ricos nem conhecidos, mas que partilhavam a crença de que na América o filho de ambos poderia conseguir aquilo que quisesse. É essa promessa que distingue este país. Que através do trabalho árduo e do sacrifício, cada um de nós pode perseguir os seus sonhos individuais mas também partilhar isso com a família americana, para nos assegurarmos que a próxima geração possa também perseguir esse sonho americano (…) Estamos num desses momentos únicos, num momento em que a nossa nação está em guerra, a nossa economia atravessa uma tormenta e o sonho americano está novamente ameaçado (…)Não hesitarei jamais na hora de defender este país, mas só enviarei os nossos soldados arriscar as suas vidas por uma missão clara e com o compromiso sagrado de que terão o equipamento necessário para combaterem e que irão beneficiar de todas as ajudas que merecem quando regressarem ao país (…)Eu vou pôr fim a esta guerra no Iraque de forma responsável, e terminarei a luta contra a al-Qaeda e contra os taliban no Afeganistão (…) Mas também irei revitalizar a diplomacia dura e directa, a fim de prevenir que o Irão obtenha armas nucleares e para controlar as agressões russas. Farei novas parcerias para derrotar as ameaças do século XXI: terrorismo e proliferação nuclear; pobreza e genocídio; mudanças climáticas e doenças(…)Não sei que tipo de vidas é que John McCain acha que vivem as celebridades, mas esta foi a minha. Estes são os meus heróis. As suas histórias são as histórias que me moldaram. E é em nome deles que eu pretendo ganhar esta eleição e manter a minha promessa viva enquanto Presidente dos Estados Unidos. E que promessa é essa? É a promessa que cada um de nós tem a liberdade para fazer da sua vida aquilo que quiser, mas que também tem a obrigação de tratar os outros com dignidade e respeito(…)”

- Crime Organizado e Discursos Relativos -

A CRIMINALIDADE em Portugal tem vindo a aumentar atingindo níveis históricos. A instabilidade social está generalizada, propagando-se um clima de medo perigosamente xenófobo e racista. Se a crise financeira é a primeira responsável pelo corromper do contrato social, em última análise o Estado tem grandes responsabilidades. Por um lado, há um combate desorganizado e insuficiente ao crime (cada vez mais organizado e de rápida acção), por outro vigoram leis de imigração condescendentes (atraímos cada vez mais classes sociais muito baixas e problemáticas, particularmente do Brasil), e por outro, há uma impunidade judicial gritante. À sombra do receio de discursos relativos, particularmente demarcados por uma extrema-esquerda utópica e teorético, vamos convivendo com uma sociedade não descaracterizada (como atira a direita conservadora) mas uma sociedade incapaz de assimilar os que chegam, às avessas com os que não se pretendem ajustar, extremamente influenciada pelas crises cíclicas (graças ao custo de vida exorbitante) e vítima de governos presos aos lóbis financeiros.

Os discursos da segregação, da getização e da exclusão primária vão perdendo aplicabilidade prática, à medida que vamos convivendo com uma realidade a la parisienne. Os que vão chegando são precisamente aqueles que os seus países de origem pretendem exportar com mais fluídez possível. Cada vez mais, viver na cidade de Lisboa ou Porto assemelha-se a viver em São Paulo ou Rio de Janeiro.