A VII Cimeira da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), ontem realizada, em Lisboa significa antes de mais que a história avança. Objectivamente. O percurso histórico dos países irmãos de língua oficial portuguesa está-se a processar em vários teatros. Um deles desenrola-se naturalmente no âmbito da própria CPLP. A ideia da CPLP corresponde a um ideal superior. Muitos angolanos, brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, moçambicanos, portugueses, são-tomenses e timorenses estão a trabalhar diariamente em prol deste grande ideal – um espaço de respeito solidário e de bem-estar cuja cidadania assenta na matriz linguística e numa maneira muito especial de viver a vida. A experiência histórica que todos vivemos e queremos continuar e desenvolver, entre muitos outros ensinamentos, mostra-nos que, no campo das realizações práticas, um timorense (ou qualquer outro cidadão da CPLP) e um português desencadeiam sinergias fantásticas. Susceptíveis de grandes realizações. Em todos os domínios da actividade humana. Cooperando no seio da CPLP, os oito países membros estão a construir no presente um destino colectivo: o futuro.
# Arlindo de Sousa, Viseu in caixa de comentários do «Público online»
A pensar já na real politik das relações internacionais e no papel estratégico do Reino Unido, Barack Obama apelou hoje ao sentimentalismo inglês. A postura é já presidencial. Como manda a regra do jogo.
Percorrem-se os caminhos ontem secos de um calor estival. Mudam-se as lentes de uma mesma realidade. Hoje chove. A paisagem dos dias quentes embriagou-se. A chuva em dias de Verão traz um aconchego sonolento ao compasso do tempo solitário. As lágrimas de umas nuvens perdidas enchem os campos de um aroma simultaneamente quente e húmido de uma natureza frágil e ulterior. A terra molhada torna-se num mapa de registos arbitrários. É Verão e chove. Há dias assim.
A terminar a VII Cimeira da CPLP fica a ideia de que o organismo de aproximação político-cultural dos países da Lusofonia vive de empurrões circunstanciais, de vagas e contra-vagas, um pouco ao jeito das vagas democráticas que Samuel Huntington explanou. Longos períodos de ausência de actividades, de silêncios laboriosos, são interrompidos por epifenómenos de grandes ideias e projectos, normalmente correspondendo às datas das Cimeiras. A CPLP vive, por isso, de uma agenda flutuante e mediática, cujos contornos não se traduzem em verdadeiros programas práticos. José Sócrates avançou um conjunto de projectos-pilotos como a criação de uma rede de escolas dos países da CPLP, uma biblioteca comum online, um projecto de televisão na Internet gerida conjuntamente por todos os países da CPLP e uma acção coordenada entre os centros culturais. O primeiro-ministro português afirmou ainda que o organismo atravessa uma fase de maturação e que requer uma maior projecção internacional, cujos contornos passam pela promoção da língua portuguesa no mundo, tal como Cavaco Silva já havia pronunciado. Resta saber se as ideias permanecerão na gaveta ou se é desta vez que a CPLP deixa de ser um gentlemen’s club.
A minha Professora de Inglês na Universidade chamava-me “soap opera man”. A propósito de qualquer assunto ocorria-me sempre um episódio de uma qualquer série, seja de que época fosse. Só isso justifica esta rúbrica. Escolhi a série Dawson’s Creek por lotaria da televisão. O canal Sony presenteou-me com esta viagem até aos meus 15/16 anos, onde era fácil nos rever-nos nas personagens. A adolescência tem destas coisas. Felizmente ou infelizmente o efeito aglutinador da série não se fazia sentir só em mim. Com os meus amigos acompanhavamos episódio a episódio, na altura aos domingos de manhã. Presumo que o hábito era recorrente nos EUA. Originalmente exibida entre 1998 e 2003. Dawson’s Creek lançou Katie Holmes. Eis a sinopse:
Para o grupo de adolescentes, formado por Dawson, Joey, Pacey e Jen, passar para o “mundo” adulto não poderia ser mais difícil. Em Capeside, uma pequena cidade do litoral perto de Boston, eles convivem com os mais diferentes tipos de problemas no cotidiano, o que os fazem crescer e entender melhor o mundo em que vivem. Agora cada um precisa decidir o rumo de suas vidas. Não é nada fácil, mas, com amor e amizade, esse caminho será mais fácil de encarar. Considerada uma das melhores séries dramáticas para o público jovem dos anos noventa, Dawson’s Creek foi uma das séries preferidas dos leitores da consagrada revista People, tendo sido indicada para receber o People’s Choice Award.
Realiza-se entre hoje e amanhã a VII Cimeira da CPLP. Para além da questão do acordo ortográfico, que já abordei aqui, é importante salientar a presença dos países observadores da CPLP, isto é, em língua corrente, os países que pretendem aderir à comunidade dos países de língua portuguesa: Guiné Equatorial, Senegal, Venezuela, Ucrânia e Croácia. Ou muito me engano ou estes países falam tanto português quanto o Bangladesh. Portanto, a questão central da CPLP - reunião de países unidos por uma mesma língua e assim traços culturais comuns - parece tender a dissolver-se, à medida que os interesses meramente económicos e migratórios, estratégicos portanto, assumem papel cimeiro no processo político da CPLP. Se por um lado, estes novos caminhos conferem maior dinamismo e amplitude ao centro de poder da CPLP, por outro lado, a política lusófona de José Aparecido de Oliveira, pai do projecto da CPLP, perde-se no complexo de negociações e interesses.
Há portanto, uma nova CPLP em marcha. Este pressuposto é inegável, e confere a Portugal (e claro ao Brasil, propulsor da CPLP e grande potência emergente) uma nova lógica de inserção internacional, pragmática e operante em várias frentes com claros interesses de alargamento económico. Todavia, é importante que não se perca o aspecto cultural da CPLP, ideia que nunca foi verdadeiramente implementada. Vamos acompanhando.
Nuno Gomes, avançado do Benfica, a propósito dos reforços para o ataque encarnado proferiu o seguinte comentário: “Continuo aqui venha quem vier!”.Esta afirmação constitui uma verdade inabalável. O jogador mais bem pago do futebol português mantém o seu lugar cativo nos quadros do Benfica. Isto é sinal de que lá dentro manda muita gente.
Não só por cá é possível verificar um centrismo das rivalidades políticas. No país irmão, o Brasil, o PT e o PSDB, partidos rivais, são pródigos em alianças. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os dois maiores partidos brasileiros, ideologicamente distantes, são parceiros em mais de mil cidades brasileiras. A gestão municipal requer certos procedimentos pragmáticos e as alianças políticas apresentam-se como o novo modelo governativo, substituindo assim o tradicional rotativismo político. Todavia, esse rotativismo deverá permanecer nas presidencias. Em 2010 dará tucanos ou petistas?
A distinção entre esquerda e direita, ideologicamente, alicerça-se em interpretações sociais como o acesso à saúde, à escolaridade, a mobilidade social, o património cultural, a liberdade religiosa, a liberdade sexual, as migrações e as etnias. São imagens-centrais dos discursos possíveis. Todavia, a esquerda carrega um cliché que a condiciona e a torna, muitas vezes, irracional: o valor supremo da defesa das minorias étnicas. Ao invés de analisar o sujeito pelo sujeito, sem diferenças e sem etnicidade, a esquerda simplista cai no erro de ler o real a partir da ideia de racismo e xenofobia. Quem na esquerda condenar os acontecimentos da “quinta da fonte” sem usar a lente da desculpabilização racial é mal-entendido por essa esquerda. No entanto, é precisamente essa esquerda que mantém o status quo do discurso racial, ao fazer prevalecer o discurso da vitimização. Conhecem a expressão “vai trabalhar, malandro!”? É por aí.
João Vieira Pinto. O nome marca inegavelmente uma geração do futebol português. Ao lado de Rui Costa, Luis Figo, Fernando Couto ou Vitor Baía, João Pinto fez parte da denominada «Geração de Ouro» do futebol português. Foram 20 anos a honrar todas as camisolas que vestiu e a não receber o devido mérito da imprensa e dos adeptos. De “menino bonito” do Benfica a “grande artista” do Sporting, JVP despertou todas as atenções do futebol português - foram célebres os duelos com Paulinho Santos e Jorge Costa. Faltou-lhe o salto para o estrangeiro mas a má experiência precoce no Atlético de Madrid condicionou a vontade de novos ares a JVP. Foi bestial e besta em vários momentos. Mesmo quando carregava o Benfica às costas haviam vozes que lhe apontavam o dedo, quando deu tudo pela selecção desde muito jovem bastou o caso de agressão a um árbrito (compreensível de quem sente a camisola e vê as injustiças do futebol) para ser afastado da equipa das quinas. E nesse momento, em que JVP mais precisava de patriotismo, foi a imprensa nacional a primeira a apontar-lhe o dedo, sob uma falsa bandeira da justiça desportiva. JVP foi um mestre que passou ao lado de uma grande carreira, de grandes palcos. Infelizmente. Na hora do adeus, um obrigado.
Luiz Filipe Scolari foi apresentado no Chelsea com pompa e circunstância, todavia ele assumiu-se como um treinador “assim, assim”. A honestidade fica-lhe bem, sem dúvida. Num clube onde a prioridade é a vitória com certos padrões de jogo - futebol total do Ajax de 1970 - Scolari herda duas tradições distintas do clube: por um lado a tradição das aquisições sonantes, por outro a tradição vencendora de José Mourinho. Pessoalmente acredito que Scolari enveredará pelo primeiro caminho, a fim de tapar algumas lacunas na sua gestão desportiva. A contratação de Deco e os interesses em Robinho e Moutinho, são disso provas. Para vencer no futebol inglês é preciso muito mais do que a apetidão futebolística, é preciso alma, determinação, força, trabalho e compleição física. Os três nomes supra citados não reunem esses requisitos. Ao sabor do chamado de Scolari ei-los dispostos a rumar a stamford bridge. O pior será daqui a um ano, quando Scolari estiver de malas aviadas.
Ano após ano o Benfica entra na loucura das contratações aos magotes. Gasta muito e por norma muito mal, ou pelo menos medianamente. Tem sido assim ao longo da última década. Obviamente que esta corrida ao mercado agrada sobremaneira à imprensa desportiva que assim vai vendendo jornais ao sabor da especulação do mercado. A contratação de Aimar, provavelmente a melhor dos últimos anos, fez as delícias dos diários desportivos. O mesmo se passou com a aquisição do prodígio afro-americano Freddy Adu. Adu vinha rotulado de craque mas, infelizmente para ele e para o futebol nacional, foi mais uma vítima da política de balneário do Benfica, jogando muito pouco. Parte agora para o Monaco com probabilidades de se tornar uma viagem definitiva. Seria melhor para ele e pior para o Benfica, que mantém a tradição dos lugares cativos. Veja-se Nuno Gomes.
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