Observadores da União Africana afirmam que as eleições no Zimbabwé, que ditaram a vitória de Robert Mugabe contra o rival Robert Mugabe, não foram “democráticas”. Afirmam tal com base em quê? Na ausência de pluralidade de candidatos, no exercício de voto à força ou no clima de ameaça? Então democracia não é quando Mugabe vence? Ai não? Então peço desculpa.
Archive for Junho, 2008
Petr Cech, guarda-redes checo (em plano mediano no Euro’08) do Chelsea, falou em Itália aos media diagnosticando em poucas palavras uma mão cheia de verdades: “É um óptimo treinador (José Mourinho), talvez o mais completo no aspecto psicológico. Tem espírito de vencedor e isso transmite-se ao grupo.Em Milão, ele vai encontrar um grupo de alto nível com um fenómeno como Ibrahimovic. Só lhe falta Lampard. (…) Não me sinto bem nos campeonatos em que a pressão em relação aos árbitros é contínua. Além disso, os estádios estão sempre cheios na Premiership, ao contrário de Itália!”
Depois de milhares de portugueses terem feito a festa nas ruas de Lisboa no seguimento da derrota com a Grécia na final do Euro’04 - quando deveriam ter ficado escondidos em casa com vergonha - eis que chega a vez dos alemães repetirem a incoerência. Parece-me sintomático, ainda não sei bem do quê: se da satisfação mediana, se da necessidade de exteriorização de turbilhões de emoções causadas pela crise global. Tinha a ideia que se festejavam as conquistas não as derrotas.
Robert Mugabe foi eleito pela sexta vez Presidente do Zimbabwé. Correndo contra ele mesmo a vitória foi-lhe favorável, e não obteve 110 por cento dos votos para que a farsa democrática não fosse muito explícita. Sem Tsangirai, logo sem oposição concreta, Mugabe pôde enfim descansar. Tudo correu como seria de esperar. Aguardemos a intervenção da comunidade internacional. Ou o Zimbabwé não tem nada para oferecer em troca da defesa dos direitos humanos?

Sentei-me, vinte minutos antes do apito inicial, no sofá. Camisola de Casillas vestida e a ansiedade natural de que acima de tudo deseja o pior à selecção alemã. A esse desejo junta-se a certeza de que a Espanha seria (e é) o mais justi vencedor. Pela proximidade de estilo de jogo, a selecção espanhola é, como já disse antes, aquilo que a selecção portuguesa quer ser quando for grande: pragmática, coesa, determinada, dinâmica, com um guarda-redes a sério e avançados que conhecem o significado de «finalização».
Num Europeu fraco, em que as mais talhadas equipas ficaram pelo caminho, a Espanha é uma justa vencedora, pela continuidade exibicional e pela humildade pragmática - soube não cair em euforias típicas lusitanas. A Espanha sucede à Grécia (vergonha nossa) como campeã europeia. Uma campeã mais justa, mais verdadeira, mais real. Hay que tenerlos!
A nova lei laboral preconiza 65 horas semanais de trabalho. Depois de um luta imensa pelas 48 horas, retrocedemos largamente. Mais ajuda sabermos que trabalharemos mais para receber o mesmo que, bem feitas as coisas, traduz-se em menos rendimentos, uma vez que se multiplicam por um número maior de horas. E retirar horas de refeições? E pagarmos pela electricidade nas empresas? E pelo uso do wc? Ah, e já agora, o governo não favorecer sempre as empresas? Estou a desconversar? Pronto, ok.
Segundo o «Público» vem aí a liberalização total da web em termos de registo de domínios. O salto qualtitativo criará uma complexidade de domínios que podem ir do simples .lisboa ao mais complexo registo que incluirá caracteres árabes. O Paulo Querido certamente explicará as repercussões da medida bem melhor do que eu.

Recordam-se de eu ter falado numa Rússia obra do acaso? Pois bem, aqui está a prova. A Rússia fica pelo caminho e a Espanha apresenta os argumentos para levar a taça para casa. Exibição personalisada, coerente, com boa dinâmica de jogo… em suma, a selecção espanhola é tudo aquilo que Portugal quer ser quando for grande.
Lidar com a morte nunca foi fácil, mesmo que se trate da morte de alguém que não nos é próximo. O conceito de perda definitiva assusta. No meio da tua dor, “irmão”, só me vejo a dizer-te: os heróis morrem de pé. Aquele abraço.

O Conselho de Ministros do Emprego e Assuntos Sociais aprovou, na semana passada, a proposta, de uma directiva que eleva de 48 para 60 horas o limite da semana laboral, mediante acordo da entidade empregadora com o trabalhador. Naturalmente os europeus andam apreensivos. Como se já não bastassem as preocupações face ao aumento do custo de vida (que mais se sente nos países menos sólidos como Portugal) e das flutuações do desemprego.
Alvin Toffler, em «A Terceira Vaga», fala de uma sociedade onde o progresso tecnológico deixará mais espaço para o lazer (cujo documentário se apresenta um tanto ou quanto chato, por sinal). Todavia, a tendência parecer ser de retrocesso e não de progresso. Os direitos laborais conquistados durante o século XIX pelos employers ingleses estão agora postos em causa, tudo graças à nova lógica económica dos países emergentes, onde os trabalhadores não gozam de quaisquer direitos, como é o caso chinês. Na necessidade de acompanhar as tendências do mercado - desregulado - a Europa vê-se a braços com a recessão social. Esperam-nos temos difíceis e uma Nova Ordem Sócio-económica Global.
Ligação: sobre o assunto vale a pena ler este artigo no «Jornal de Notícias»


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