Archive for Abril, 2008

Eleições no Zimbabwe (11)

Garantida a vitória nas eleições legislativas, Morgan Tsvangirai, líder do MDC, aponta o dedo a Mugabe, relembrando a incongruência do ditador africano: “Mugabe deve compreender que não pode ser Presidente sem controlar o Parlamento“. Os resultados das eleições presidenciais serão (supostamente) libertados hoje. A confirmar-se a derrota total de Mugabe, estaremos perante um rude golpe nas aspirações de quem defende que há ditaduras legitimadas pelo povo. Mais tarde ou mais cedo o desejo de liberdade e mudança triunfará.

Amadurecimento Partidário

O governo socialista tem sido acusado — e diga-se, justamente — de promover políticas sociais «à direita». Podemos indicar um sem fim de factores, mas o presente postal não tem um carácter reflexivo mas de analogia. Com o passar do tempo, as pessoas tendem a assumir valores e modos de ser e de estar muitas vezes antagónicos aos valores partilhados durante a juventude. Aliás, essa alteração nota-se também no modo de vestir. As pessoas, e refiro-me particularmente aos portugueses, vão-se tornando imagens dos pais e dos avós, isto é, há um reaproximar às tradições, aos brandos costumes, ao conservadorismo social. O mesmo parece estar a acontecer com o PS. Com o amadurecimento histórico, o Partido Socialista vai-se aproximando mais da direita moderada, confundindo-se com esta. Só isto justifica a desaprovação dos fundadores do partido.

[créditos da imagem: zinkwazi]

Cristiano Ronaldo

O «superputo» venceu, pelo segundo ano consecutivo o prémio de melhor jogador do campeonato inglês. Um prémio mais do que justo para coroar tão grandiosa época. Faltam só os títulos para o clube.

Pedro Passos Coelho

Como ontem foi avançado, Pedro Passos Coelho, é a escolha do PSD-Porto para a liderança do partido. O voto de confiança da distrital liderada por Marco António Costa é, em grande medida, um voto simbólico. Isto é, a opção por Pedro Passos Coelho vem carregada de simbolismo de «futuro», «juventude» e «mudança». Acima de tudo vem envolta numa áurea de sentimento de ruptura com os últimos anos do percurso do partido. Se do ponto de vista emocional a escolha de PPC anuncia-se como um choque vitamínico, do ponto de vista pragmático não vai mais além do que o preenchimento de uma lista de “possíveis”. Jamais um partido feito de “tubarões políticos” aceitará um golfinho de gravata. É pena, mas é disto que a política é feita.
 
[créditos da imagem: Iacovos Constantinou]

Segurança à Portuguesa

Os níveis de segurança no nosso país atingem números cada vez mais preocupantes. Os portugueses sentem-se menos seguros de ano para ano, e grande parte atribui à imigração elevada quota de responsabilidade. Políticas de imigração que não encontram condições de inserção não resultam nem favorecem imigrantes nem nativos, e tenderão a gerar maior insegurança. Ao mesmo tempo, a capacidade de resposta policial mantém-se presa a índices de instabilidade reduzidos. A liberdade de actuação policial, face ao crime espontâneo, está claramente impregnada das más memórias da PIDE. Erradamente. O que aconteceu na esquadra de Moscavide é de terceiro mundo.

Next Generation PSD

No último «Corredor do Poder», Marco António Costa, presidente da distrital do Porto do PSD, deixou transparecer a escolha dos militantes portuenses do PSD para as eleições forçadas no partido. Pedro Passos Coelho avança com a sua candidatura, num momento em que se assume que é necessário um novo rosto para o partido.
 
[créditos da imagem: [G]host dog]

5 Dedos para Embalar o Berço

A cidade de Guimarães fervilhava deste ontem com a esperança da vitória da equipa da casa diante do Futebol Clube do Porto. A realidade foi bem diferente do sonho. Os «dragões», com algumas alterações no onze, puxaram dos galões e não deram a mínima hipótese — cinco a zero . Bruno Alves abriu de cabeça o caminho à conquista da cidade-berço, depois Quaresma (2 vezes), Farías e Adriano depositaram a cereja em cima do bolo.

Eleições no Zimbabwe (10)

Sem “embandeirar em arco”, anunciam-se mudanças democráticas para o Zimbabwe. A recontagem final dos votos está em curso e as assembleias que faltam contabilizar não são suficientes para alterar aquilo que há um mês já se sabia: Morgan Tsvangirai, candidato do MDC, venceu as eleições. O embargo ao armamento exportado pelos chineses e os inúmeros apelos à ONU, às quais se juntam as recentes declarações de Jendayi Frazer, tudo junto parece ter impulsionado o governo do Zimbabwe a actuar correctamente. Tenhamos calma, mas aguardemos com redobrada esperança.

Política com «K»

O Presidente da República, Cavaco Silva, pretende reunir, no próximo mês, com os líderes das organizações juvenis, a fim de debater as razões do afastamento dos jovens face à política. Já ontem o PR havia manifestado a sua preocupação face ao desconhecimento das celebrações do 25 de Abril. A distância face aos assuntos da esfera política, verificável na juventude portuguesa, situação contrastante com a realidade francesa, tem um grande peso nas perspectivas de futuro para a política portuguesa. Mas é, precisamente, esse espectro político português o responsável pelo alheamento dos jovens. Quando as promessas eleitorais não encontram aplicação prática, quando as estruturas partidárias são instáveis, quando os líderes dos referidos partidos não têm carisma suficiente para funcionarem como elemento aglutinador, é pouco provável que os jovens se sintam atraídos pela participação cívica. Precisamente por isso, a decisão de Cavaco Silva, é louvável e fundamental. O projecto aliás, já começa a ser desenvolvido com a «Geração de Ideias».

Feriado do Quê?

Hoje celebram-se trinta e quatro anos da «revolução dos cravos». O momento não só marcou uma mudança histórica no panorama político português, com as devidas implicações socias, como serviu de barómetro para o politólogo Samuel Huntington, que indica a revolução do dia 25 de Abril de 1974, em Portugal, como o despertar da «terceira vaga de democratização». Isto é um duplo facto que o país se deveria orgulhar. A revolução não foi uma coisa de «esquerda», foi o resultado de décadas de atrofio das liberdades e direitos individuais. Nesse sentido, o 25/4 deveria ser tido como o colminar das vontades colectivas. Assim sendo, não se percebe porque tradicionalmente os deputados dos partidos à «direita» fazem questão de aparecer — na cerimónia solene parlamentar — sem o cravo na lapela. É um objecto, certamente, mas sabemos que um objecto tem sempre uma carga simbólica associada a ele e, neste caso, a simbologia é uma das mais das virtudes: a liberdade.
 
Grave também é a prática comemorativa social. A grande maioria dos portugueses aproveita a dia da «revolução dos cravos» para rumar ao Algarve. Isso, juntamente com o deplorável sistema de educação português, contribuem para que grande parte dos jovens, hoje, não tenha consciência daquilo que se comemora. Cavaco Silva alerta para o sucedido, e bem, indo ainda mais longe, focando o ideal projectado pela revolução. Relembrando que o 25/4 está ainda por cumprir — a construção de um país melhor, mais forte economicamente, com maior equidade social, com maior justiça distributiva, com melhor sistema de ensino, com níveis elevados de segurança, com um sistema de saúde capaz de responder às necessidades básicas e secundárias da população, com um sistema de educação capaz de formar gente capaz, etc, etc, etc.

Eleições no Zimbabwe (9)

Jendayi Frazer, secretária de Estado adjunta norte-americana para os Assuntos Africanos, afirma dispor de dados fiáveis que indicam uma vitória clara do candidato da oposição Morgan Tsvangirai . A escalada de instabilidade política e social começa a preocupar os Estados Unidos, que entretanto apoia o apelo de Gordon Brown, primeiro-ministro inglês, de embargar a venda de armas ao país de Robert Mugabe. A mudança continua a assustar os governos opressores africanos. A não divulgação dos resultados eleitorais pode atirar o país para uma crise política sem precedentes. É plausível temer que Mugabe se transforme em Idi Amin, o ditador que governou o Uganda entre 1971 e 1979.

Justiça Benaventense

A comunidade benaventense respira agora de alívio com a condenação dos três assaltantes à bomba de gasolina «ETC», assalto ocorrido à um ano, e que vitimou a funcionária de serviço. O sucedido chocou a cada vez menos pacata vila ribateja, que se vê a caminhar para a insegurança verificada na vizinha Salvaterra de Magos. Vinte e um anos ainda é pouco para um assassino.

O Regresso do PPD-PSD

Pedro Santana Lopes, agora também blogger, anunciou a sua candidatura à liderença do Partido Social-Democrata, PSD, que ele gosta de chamar PPD-PSD. Parece que se cansou de andar por aí, e quer voltar a meter as mãos na massa. Animação e farra política não vão faltas a estas internas do PSD. Agora não me parece que PSL seja capaz de vencer Manuela Ferreira Leite. Aguardemos.