Archive for Abril, 2008

Um dos principais e mais louváveis valores da «esquerda» globalizada é o respeito pela diferença. Para a «direita» conservadora, a preocupação com a igualdade sexual e liberdade de expressão de preferências sexuais, é entendida não só como contra-natura como ainda sintoma de homossexualidade dos defendores. Isto é, os conservadores colocam homossexuais e aqueles que defendem os direitos e a livre escolha no mesmo saco. O facto de defender a união de facto, o casamento e a adopção por casais homossexuais não faz de mim “gay”, mas sem dúvida faz de mim liberal. Com orgulho.
Gisberta, nascida Gilberto Salce Júnior na cidade de S. Paulo, Brasil, há 46 anos, acabou morta no fundo de um fosso malcheiroso, onde agonizou durante 48 horas até dar o último suspiro. As penas, atribuídas aos menores-assassinos, vairam em meses, sendo que o principal arguido poderá passar os oito meses de pena em frente ao televisor ou a um computador. O Tribunal de Família e Menores do Porto fez uma avaliação demasiado leviana do caso. O valor da vida humana é mensurável em função das potencialidades sócio-económicas de cada um.
[photo by Ralph Stockmann]
O texto abaixo constitui um e-mail enviado por mim à redacção do canal Sporttv, em nota de insatisfação:
Exmos. Srs.Desde já os meus cumprimentos. Sendo cliente Sporttv sinto-me no direito de expressar o meu desagrado pelos comentários emitidos pelos v/analistas de serviço nos jogos da Liga dos Campeões envolvendo o FC Barcelona. Entendo que, uma cuidada análise de um jogo de futebol, deve ser feita tendo em conta os critérios de isenção e objectividade. Um profissional não deve ser tendencioso nem transparecer as suas preferências. Todavia, não é isto que se verifica. Nos jogos do Barcelona há, sempre, uma notória tendência dos comentadores da estação de V.Exas. para exacerbar as qualidades dos jogadores «blaugrana» e analisar os lances em favor do clube da catalunha. Permitam-me a expressão: nota-se nos v/comentadores uma “doença” pelo Barcelona.Ainda ontem, no jogo que opunha o Manchester United ao Barcelona, em Old Trafford, segunda mão das meias-finais da Champions League, vi-me forçado a mudar de canal, e acompanhar o jogo na RTP1, tal era o entusiasmo pró-barcelona que se fazia notar. Não se tratava de um jogo da Selecção Nacional, onde todos estamos a puxar para o mesmo lado, tratava-se, sim, de um jogo da Liga dos Campeões opondo ingleses a espanhóis. Pesem as nossas preferências o comentário deveria primar pelo rigor. O que se passou foi um retrato do jornalismo português e dos meandros do futebol.Atentamente,João Ferreira Dias
A candidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD agita também a blogosfera portuguesa. O blogue «O Futuro é Agora», de apoio à candidatura, nada tem a ver com os tradicionais blogues de políticos que procuram legitimar no seio da comunidade blogger as suas ideias. Este denota um forte conhecimento do meio. Ainda bem.

A sustentação de um crescimento económico exponencial chinês, tem sido a escravização de mão-de-obra infantil e a supressão dos direitos dos trabalhadores. Nunca poderemos falar em Pequim como sinónimo de um centro nevrálgico de vontades colectivas, como capital física de um capital social. Resta saber se o esforço governamental para combater a escravatura no país não é apenas uma medida do «show business» para tapar o sol com a peneira. Pura cosmética.
[photo by Tenor]

(…) Na verdade, porém, o 25 de Abril parece agradar a cada vez menos gente. Há autores para quem o Salazarismo não foi um fascismo, e outros para quem o 25 de Abril não foi exactamente uma revolução. O que faz com que, aparentemente, na frase «25 de Abril sempre, fascismo nunca mais», não haja nada que se aproveite. Nem o 25 de Abril foi 25 de Abril, nem o fascismo foi fascismo.
E por isso, amanhã, numa data que, pelos vistos, não chegou a ocorrer, comemora-se a nossa libertação de um opressor que, ao que me dizem agora, nunca existiu. Até parece mais bonito assim, não parece? Parece.
#Ricardo Araújo Pereira in «Visão» [+].


Ao longo de três décadas de poder na Madeira, Alberto João Jardim, construiu uma imagem pública extremamente controversa e espalhafatosa. Ao lado do claro crescimento e desenvolvimento do arquipélago conseguido, AJJ tem sido fortemente acusado de governação autoritária, silenciamento da oposição, corrupção com fins pessoais. Apesar disso as eleições continuam a mantê-lo no poder. Esta questão é fortemente contestada até porque não há espaço, no espectro político madeirense, para o debate político. Pesem todas as contrariedades da sua personalidade pública, Alberto João Jardim é um dos mais carismáticos membros do Partido Social-Democrata (PSD). Num partido às portas da desagregação interna e da perda de identidade política, acentuada pela saída abrupta de Luís Filipe Menezes, e com o avanço de uma candidatura séria de Manuela Ferreira Leite, cujas implicações externas não trarão capacidade de oposição ao governo do PS, alguns militantes voltam-se para Jardim, procurando uma solução para a reconstrução da imagem do partido. O momento tem-se tornado uma «feira de vaidades», entre “sou candidato” e “não sou candidato”, e a candidatura de Alberto João Jardim colocará em cheque a legitimidade do partido. A política avança para tomar o lugar do circo — pão e política para distrair o povo. 
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