Archive for Março, 2008
EMBANDEIRAR: A descida do IVA de 21 por cento para 20 por cento, tem servido de bandeira política a José Sócrates. Um governo que de «esquerda» tem pouca coisa, dá uma esmola como quem dá o euromilhões. O primeiro ministro português trata a pobreza em Portugal com uma total falta de sensibilidade governativa. Há nele toda uma postura social inócua. Falando aos jornalistas, a propósito da descida do IVA, declarou: “é sempre desprezível para quem é rico, mas para quem é pobre não é desprezível“. Pois, de facto, 1% fará uma diferença abismal na redução do endividamento das famílias portuguesas. Na verdade, José Sócrates, limitou a aplicar uma velha jogada política: dar um passo rumo ao povo em época de pré-campanha. E como em tudo, exacerba as medidas mais ou menos positivas do seu governo. Embandeira em arco, seduzindo os media que ao sabor da corrente actuam pró-governo. (2). diversidade cultural, segregação racial e ideologia de nação —
a colonização viu-se a braços com contingentes populacionais extremamente diversificados aos quais se vieram juntar novos ethos, novas representações sociais e culturais com a mão-de-obra escrava. Esta diversidade cultural teve de ser enquadrada numa estrutura e numa lógica social externa, isto é, segundo moldes ocidentais-coloniais. Obviamente que tal processo teria de originar conflitos estruturais, reprimidos por um mecanismo escravocrata e genocida. Esta mutilação da diversidade cultural manteve-se e acentuou-se no período pós-colonialista, em que o projecto de nação traçado pelas elites económicas e sociais não se compadecia com a presença de mestiços e afro-descendentes. A «ideologia de nação» criada nos burgos da alta sociedade não encontrava repercussão na realidade social. Deste conflito entre projecto e real originou-se a segregação racial.
REGRESSO AO SERVIÇO PÚBLICO: Celebrando o «Dia Mundial do Teatro», a RTP faz uma viagem com trinta anos e recupera o conceito de «serviço público», ao emitir teatro em directo. “O dia das Mentiras”, baseado em duas comédias de Almeida Garret, adaptadas por Rui Mendes, com encenação de Fernando Gomes, sobe ao palco do Teatro Trindade e entra pela casa dos portugueses à hora das telenovelas. Pese o desafio humano e de equipamento que o momento representará, é inegável que a RTP tem uma excelente oportunidade de revitalizar a televisão formadora, mesmo não esquecendo o conceito de entretenimento. Este exercício de revitalização do «serviço público» pode finalmente pôr cobro ao mito de que a televisão portuguesa vive de infoentretenimento, é que o horário nobre da televisão é ocupado com programas de baixíssima qualidade e com uma massiva emissão de telenovelas. Não confundamos produção nacional de telenovelas com cultura de massas. É perigoso.
FAZ SENTIDO: O caso «Carolina Michaelis» continua na ordem do dia, quanto mais não seja porque representa uma excelente oportunidade para a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) mostrar serviço. Chega-nos notícia de que tanto a jovem agressora quanto o “operador de câmera” serão transferidos de estabelecimento de ensino. Embora o jovem não tenha participado activamente no sucedido não deixou de revelar uma tremenda falta de civismo ao registar em video o momento da agressão. Segunda-feira, a professora vai regressar à escola e à turma do 9ºC que Patrícia frequentava. A turma é maioritariamente composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares.
ESCOLARIDADE OBRIGATÓRIA: O caso de agressão na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, sucedido amplamente divulgado pela comunicação social via youtube, trouxe de novo à baila a questão da educação (ou falta dela) juvenil portuguesa. O facto de a aluna em questão ser levada hoje a tribunal não esconde o problema, nem tão pouco servirá de «castigo exemplar». Já antes afirmei que há uma desresponsabilização paternal no processo educativo, cujas consequências estão à vista de todos: falta de respeito, de civismo e de consciência dos limites. Entre as medidas possíveis, proponho que seja feita uma avaliação anual do comportamento escolar de cada aluno, sendo que a par do procedimento avaliativo, seria um meio de selecção natural. Resultaria da aplicação do modelo francês, a escola para os mais aptos, sendo que por mais aptos se entenderia os mais aplicados e cumpridores.
BLUE CAR: Um filme alternativo ao cinema hollywoodesco que nos traz o outro lado da criação literária, a busca pela palavra que espelhe na perfeição a emoção, que cole num momento toda a eternidade. Simultaneamente, «Blue Car» é uma viagem bem real por uma América feita de gente simples, verdadeira, sem o brilho das luzes citadinas, que sofre, que crê, que desespera e que procura no meio do caos encontrar um sentido de vida. Karen Moncrieff oferece ao cinéfilos um filme a meio caminho da qualidade inegável, mas que coloca Agnes Bruckner nas bocas dos bastidores do cinema americano. 



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