COMUNICADOS À NAÇÃO: A RTP foi durante o período do «Estado Novo» o canal preferencial de divulgação de uma ideologia de massas. A ‘mensagem’ presidencial, em horário nobre, instruía a população num culto governamental. A ausência da oposição no espaço mediático só era colmatada pelas publicações clandestinas comunistas. Longe vão os tempos…ou nem tanto. O deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares considerou “muito graves e preocupantes” os dados do relatório da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) entregues hoje no Parlamento que detectou “um excesso de presença do Governo e PS” na informação da RTP. A preocupação é justificada e pode tornar-se calamitosa se se vier a confirmar uma promiscuidade entre o canal e o governo. Os tempos até podem não ser sombrios mas que há nuvens cinzentas no horizonte, isso é inegável. Archive for Março, 2008
COMUNICADOS À NAÇÃO: A RTP foi durante o período do «Estado Novo» o canal preferencial de divulgação de uma ideologia de massas. A ‘mensagem’ presidencial, em horário nobre, instruía a população num culto governamental. A ausência da oposição no espaço mediático só era colmatada pelas publicações clandestinas comunistas. Longe vão os tempos…ou nem tanto. O deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares considerou “muito graves e preocupantes” os dados do relatório da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) entregues hoje no Parlamento que detectou “um excesso de presença do Governo e PS” na informação da RTP. A preocupação é justificada e pode tornar-se calamitosa se se vier a confirmar uma promiscuidade entre o canal e o governo. Os tempos até podem não ser sombrios mas que há nuvens cinzentas no horizonte, isso é inegável.
UMA MÃO LAVA A OUTRA: Sem dúvida que este governo, e particularmente José Sócrates, tem conseguido ser consensual: toda a gente o detesta. Os números estão aí, e a pressa em resolver problemas estruturais em três anos deixou os agregados familiares com os bolsos rotos de tanto remexer. Todavia, um últimos dias, iniciando a campanha para 2009, o executivo socrático avançou com medidas populares e mediáticas: baixou o IVA em 1%, comprou uma guerra com a Igreja na reconquista do espaço laico e distribuiu computadores a portadores de deficiência. Esta última manobra mediática, embora carregada de simbolismo político, não perde por isso o seu vigor — trata-se de uma medida louvável — mesmo feita em prol da conquista de votos. Uma mão lava a outra e todos ficam mais limpos. 
A QUESTÃO ISLÂMICA NA AUSTRÁLIA: John Howard, Primeiro-Ministro australiano, chocou a comunidade islâmica local ao proferir as seguintes palavras:
OS IMIGRANTES NÃO-AUSTRALIANOS, DEVEM ADAPTAR-SE. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria dos Australianos. A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade. A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês,o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua! A maior parte do Australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta nação sobre princípios cristãos, e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura. Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco. ESTE É O NOSSO PAÍS, A NOSSA TERRA, E O NOSSO ESTILO DE VIDA. E oferecemos-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade australiana: O DIREITO de PARTIR. Se não são felizes aqui, então PARTAM. Não vos forçamos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá. Então, aceitem o país que vos aceitou.
Embora fortes, as palavras de John Howard denotam o cansaço global face ao choque civilizacional em curso, tendo por base as difíceis relações com o mundo islâmico. As extremas-esquerdas europeias (e não só) têm usado o caldeirão islâmico como arma anti-americana, esquecendo a factura a pagar. O complexo tema da burkha nas escolas francesas só veio complicar ainda mais as já de si nada fáceis relações entre a norma social francesa e a lei islâmica. Obviamente que não pode estar em causa o direito à diferença, à liberdade religiosa e à auto-determinação. Todavia, tais valores jamais poderão ser confundidos com abertura à sharia. Desrespeitar as leis, as normas e condutas do país de acolhimento não só é insultuoso como denota uma total falta de noção de adaptabilidade. “À terra onde fores ter, faz como vires fazer”. Já diz o ditado popular.
APAGÃO ACADÉMICO: Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, num seminário promovido pela JS, subordinado ao tema «educação», afirmou que o número de licenciados desempregados em Portugal tem-se mantido constante desde há cinco anos. Esta afirmação, para além de descartar as responsabilidades do governo é também falaciosa em termos de aplicabilidade das condições naturais de emprego. Se por um lado se tem mantido constante é porque o governo não está de facto a criar oportunidades de emprego, por outro só é constante graças à ausência de inscritos no IEFP e ao crescente número de recém-licenciados em processo de emigração. A juntar a estes indicadores não analisados estão os inúmeros estagiários a recibo verde ou a remunerações precárias (150€/200€), situação que outrora apelidei de “propostas milionárias”. Obviamente que isto não entra no discurso oficial e, certamente, haverá quem encontre um sem fim de explicações para o sucedido. Mera retórica.
entre o poder central e o poder religioso. É um imperativo que a Igreja dos Homens encara como uma afronta, após séculos de conivência e usufruto de privilégios particulares. Depois da legalização do aborto e da intenção de pôr fim à assistência espiritual e religiosa nos hospitais, a proposta socialista de desburocratizar o divórcio, pondo fim ao processo litigioso, caiu que nem uma bomba no seio da Igreja Católica portuguesa. D. Carlos Azevedo, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, vai mais longe: “o Estado tem a obrigação de reconhecer o papel social da Igreja e de o promover do mesmo modo que promove o desporto, ao apoiar a construção de estádios“. Obviamente que não se pode negar o papel social da Igreja através de inúmeras obras de caridade e auxílio. Contudo, à Igreja cabe reconhecer os seus limites de actuação, admitir que já não é o caminho religioso único na sociedade portuguesa, é apenas mais. A Igreja que tem sido um Estado dentro do Estado português, não pode exigir a promoção da sua identidade por parte de um governo cujos cofres estão manifestamente mais vazios que os seus. Mais ainda, exigir essa aposta é o mesmo que forçar o governo a reabrir as portas do poder à Igreja, roubando um espaço que custou a ser ganho. Poder político e poder religioso podem ser concordantes em determinados temas, mas jamais poderão ser coniventes. Além do mais, confundir religião com desporto é um jogo de poder que a Igreja sempre procurou fazer, criando claques de fiéis. O governo não pode abrir mão da laicização social.
“Criámos o complemento solidário para idosos com rendimentos abaixo dos 400 euros, investimos no Sistema Nacional de Saúde para uma melhor resposta aos problemas levantados pelo envelhecimento da população e, criámos o programa PARES, que permitiu investimentos em equipamento social como nunca no passado” [+].


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