IMPRENSAR: Um sintoma de que os media em Portugal se encontram longe de viver dias de grande eloquência é a falta de cronistas e, pior, a sensaborona qualidade dos existentes. Grande parte dos nossos opinion makers aproveitam as páginas dos jornais e revistas para exorcizar os seus fantasmas ao mesmo tempo que convencem o povo de que são eles os detentores da perspicaz interpretação do real. E depois é precisamente a falta de um número considerável de comentadores (falta também justificada pelos meandros dos lóbis jornalísticos e políticos) que leva a uma repetição destes pelos pasquins existentes. Só tamanho vazio opinativo justifica que João César das Neves comente no «Diário de Notícias» e no «Destak». É verdade que os públicos-alvo dos referidos jornais são manifestamente diferentes, mas a questão não é essa, nem pode ser. Partilhar comentadores é quase tão irreal quanto uma editora partilhar o seu best-seller. Archive for Janeiro, 2008
IMPRENSAR: Um sintoma de que os media em Portugal se encontram longe de viver dias de grande eloquência é a falta de cronistas e, pior, a sensaborona qualidade dos existentes. Grande parte dos nossos opinion makers aproveitam as páginas dos jornais e revistas para exorcizar os seus fantasmas ao mesmo tempo que convencem o povo de que são eles os detentores da perspicaz interpretação do real. E depois é precisamente a falta de um número considerável de comentadores (falta também justificada pelos meandros dos lóbis jornalísticos e políticos) que leva a uma repetição destes pelos pasquins existentes. Só tamanho vazio opinativo justifica que João César das Neves comente no «Diário de Notícias» e no «Destak». É verdade que os públicos-alvo dos referidos jornais são manifestamente diferentes, mas a questão não é essa, nem pode ser. Partilhar comentadores é quase tão irreal quanto uma editora partilhar o seu best-seller. No entanto há excepções. O filme de António-Pedro Vasconcelos, “CallGirl”, protagonizado por Soraia Chaves, Nicolau Breyner e Ivo Canelas, contabilizou 146.466 espectadores e cerca de 661 mil euros de receita bruta de bilheteira. Podem apresentar-se um rol de razões para o sucesso, mas no fim sobram sempre uma: Soraia Chaves num papel sexual. Quando a temática do filme é o sexo então o mesmo pode até ser legendado em hebraico, isso não interessa nada, ao fim e ao cabo o que as pessoas vão lá ver é Soraia Chaves. Há dúvidas?
tempos na Atlântico edição impressa, que por muito que tentasse ser de esquerda não conseguia; a propósito do assalto que foi vítima em São Paulo, Brasil. Embora não partilhe dos valores ideológicos perfilhados por João Pereira Coutinho (JPC), não tenho por hábito trocar a razão pela ideologia. Não entendo que com tal afirmação JPC esteja a assumir-se como racista, longe de entender as suas palavras como tal; creio, isso sim, que JPC nos tenta dizer que a criminalidade resulta muitas vezes de níveis de desresponsabilização étnica e de uma política de imigração descontrolada, reforço descontrolada porque não sou contra a imigração per si, afinal, a emigração faz parte da história do nosso país. Agora, há que não confundir imigração como possibilidade de delinquência fácil. E isto é o rescaldo da nossa incoerente política de fronteiras.Estas e outras perguntas ficam sem resposta. E é por essas e por outras que a direita têm legitimidade política. Ora bolas.
BLOGACTIVIDADE: A caríssima MCA do blogue «A Biblioteca de Jacinto» nomeou o simplório «Kontrastes 3.0» para o prémio de proximidade blogosférica: “É um blogue muito bom, sim senhora!“. Segundo palavras da mesma, as nomeações têm por objectivo “promover a amizade e interacção na blogosfera”, o que só por si são ideais valiosos. Assim sendo, cabe-me nomear outros cinco bloggers como blogues muito bons, sim senhora. Seguem os nomeados:
→ «Kontratempos» de Tiago Barbosa Ribeiro
→ «Em Semicírculo» de Isabel Salema Morgado
→ «O Jumento»
→ «Abafos e Desabafos» de Magnolia
→ «Ação Humana» de Guilherme Roesler
Há contudo que fazer uma chamada de atenção. Pese toda a qualidade dos argumentos de José Rodrigues dos Santos, a notória pesquisa realizada, a minociosa exposição, há no Codex 632 e n’A Fórmula de Deus uma estrutura narrativa, uma caracterização das personagens e um enlace em tudo semelhante à escrita de Dan Brown, autor d’O Código Da Vinci, Anjos & Demónios, entre outros. A criptanálise, a relação entre uma personagem masculina e outra feminina e o desvendar de um mistério, colocam a escrita de José Rodrigues dos Santos numa categoria de romance moderno, com uma narração rápida e que prende o leitor, em torno de espaços contemporâneos e personagens realistas.
José Rodrigues dos Santos é, cada vez mais, um nome maior da literatura portuguesa, que prima por não ser light sem deixar de ser cativante, que não procura o romance fácil e sem informação, é um caso de literatura de infoentretenimento.
No fim dos nossos dias está a morte.
No fim da nossa vida está o início.”
|||68 ANOS: Segundo o «Diário Económico», quem entrar no mercado de trabalho este ano terá de trabalhar até aos 68 anos. Esta medida assenta no pressuposto do aumento da esperança média de vida (um ano a cada década) o que permite ao Governo calcular um valor médio de capacidade de exploração do cidadão. Contudo, há um factor que ficou por incluir nos cálculos: a qualidade do sistema de saúde, factor que poderá ser determinante no índice de capacidade per capita.Entretanto nas notícias dão-nos conta que mãe e filho deficiente sobrevivem com 300 euros por mês. É sem dúvida uma fortuna senhor Primeiro Ministro.

O Governo deicidiu para já, que o novo aeroporto será em Alcochete. Escrevo “para já” porque esta é a segunda decisão apresentada como sendo absoluta, total, definitiva, para todos os séculos. A primeira foi a Ota, em que estava tudo decidido, tudo resolvido (…)(…) Quando, há poucos dias, a pretexto de uma qualquer outra decisão, o ministro das Obras Públicas afirmou do palanque em que falava que com ele as decisões eram para se manter, a circunspecta sala veio abaixo à gargalhada. O ministro ficou surpreendido, depois perplexo e incomodado e tentou explicar-se. (…) Há de facto uma grande injustiça em deixar na sombra o facto de que José Sócrates foi ainda mais peremptório do que Mário Lino, disse mais “jamais” do que ele, e é o primeiro e último responsável pelo desperdício que a teimosia com a Ota fez pagar e vai fazer pagar ao País.
(…) O programa da RTP de Fátima Campos Ferreira tem muitos defeitos, alguns graves. É muitas vezez “prós e prós”, às vezes em matérias suspeitas de governamentalização, as escolhas que não são resultado de recusas tendem a favorecer o poder, e tem um modelo de gritantismo que prejudica a discussão das questões…
Era destas matérias que o «Abrupto» deveria ser feito, e não de fotos que qualquer um pode tirar, e de egocêntrismos desnecessários e incongruentes.
No domingo de celebração da Sagrada Família, o padre de Vila Nova de Milfontes aproveitou a homilia para uma cruzada anticristã. Disse, a uma audiência que incluía crianças e jovens, que os problemas da instituição “família” se devem aos homossexuais. Argumentou mesmo, por palavras próximas destas, que a homossexualidade não é natural; natural é só a obra de Deus! Ora bem, se Deus não criou os homossexuais então não sei quem os criou, porque Deus, recordo, é o Criador de todas as coisas, (e nenhuma delas antinatural). Ao receber lições de cristandade, aprendi sermos todos filhos Dele, nós pretos ou brancos, nós árabes ou judeus, nós heterossexuais ou homossexuais. (…) Porque mais que custe ao pároco de Milfontes, se Cristo estivesse vivo em carne e osso, rezava hoje mais depressa junto da comunidade gay e lésbica perseguida pela maioria social do que junto a si, que naquele dia fez de fariseu. (…) A Igreja pode não aceitar a homossexualidade, mas culpá-la do fracasso do matrimónio e da falta de filhos é ir muito longe. (…)
Entretanto lembrei-me que Milfontes é a tua terra, Chico. E sem dúvida que é um artigo que interessará aos autores de «Renas e Veados» e «Assumidamente».
|||BRASIL EXPORTADO: Segundo estudo realizado em Espanha 70% (setenta por cento) da prostituição masculina é de origem brasileira dos quais 75 por cento é homossexual. Da análise dos dados concluiu-se que os sujeitos têm entre 18 e 28 anos, com baixo índice de escolaridade, situação ilegal e inexperientes, o que sugere que não tinham a mesma actividade no Brasil. A maioria actua em saunas gays ou pela internet. Segundo a antropóloga que coordenou o estudo:A grande maioria decide permanecer nesse setor por dinheiro. Ao contrário das mulheres, que muitas vezes chegam enganadas e pressionadas por máfias, os homens sabem onde estão e exercem por vontade própria.
Jorge Del Romero, médico, membro da equipa de investigação, afirma que “um dos objetivos dessa pesquisa é atuar na prevenção, porque há um problema grave que está aumentando. Entre as mulheres, o índice de contágio é de apenas 1%.“
Daqui se conclui que há tipologias de trabalho características à população brasileira emigrante das quais as actividades ligadas ao sexo possuem particular destaque, não só em Portugal como nos demais países para onde estes emigram. A Suiça, por exemplo, é um dos países que recebe emigrantes brasileiros homossexuais e travestis, que actuam por temporadas. Isto não é só sinónimo das dificuldades económicas e sociais de origem, bem como os entraves recorrentes da baixa escolaridade e da situação de emigração ilegal, como ainda é sintomático da procura de trabalho de elevado rendimento e menor esforço. A prostituição continua a ser um caminho fácil. Sob pena de propagação do vírus da SIDA e da não dignificação de uma população de origem.








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