Archive for Janeiro, 2008

FIAT LUX: As reformas na Saúde sempre foram um conteúdo programático do governo de José Sócrates. Segundo parece, o objectivo primordial era a melhoria das condições do Serviço Nacional de Saúde, que tem apresentado esgares de terceiro mundismo. No entanto, provas há de que o fecho das urgências por esse país a fora não foi acompanhado de alternativas credíveis a não ser os cemitérios que, em última análise, não agradam a cidadão algum. Óbvio.
José Sócrates, sempre num tom que lhe próprio, admitiu a existência de algumas falhas que terão sido aproveitadas com “profunda demagogia”, nas suas palavras. Essa demagogia que tem por hábito atirar à cara da oposição tem sido o fato de gala do seu governo, mesmo que ao olhar-se ao espelho se veja despido.

Em declaração aos jornalistas, o Primeiro Ministro voltou a frisar o seu «provincianismo»:


Os meus pais são de uma aldeia, em Alijó. Compreendo as pessoas de Alijó. Compreendo o seu sentimento de insegurança porque, com a demagogia política que é utilizada, acham que o Estado, porventura lhe vai prestar menos atenção.

É fácil imaginar Ricardo Araújo Pereira a caricaturar tais declarações, contudo, é crucial que se entenda as preocupações dos cidadãos. Como me disse há pouco um membro do governo “amigo João, os ministros são como os melões - só depois de abertos…”. Está tudo dito.

ERRATA: Daniel Oliveira foi, em gíria de cascais, um “querido” em vir até ao «Kontrastes 3.0» para me avisar que cometi uma gaffe no post anterior. Afinal o autor do «Arrastão» nunca apoiou Hillary Clinton. Erro meu, assumo. A verdade é que já não sei bem de onde veio esta ideia, mas tenho a ligeira impressão que tinha a ver com um banner com a referida candidata. As minhas desculpas a Daniel Oliveira e um obrigado pela visita. Volte sempre.

BLOG REVIEW: Que Daniel Oliveira é um blogger sobejamente conhecido já todos sabemos. Desde o «Blog de Esquerda» passando pelo incontornável «Barnabé», tem deixado a sua marca na blogosfera. É verdade que com o tempo tem trocado a reflexão pela postagem rápida, no entanto, aquilo que me chamou a atenção foi a sua mudança de postura face às eleições americanas. Desde que abandonou o «weblog.com.pt» e se fixou num domínio próprio Daniel Oliveira mudou também de candidato preferido. De Hillary Clinton migrou para Barack Obama. Acredito que não tenha (só) a ver com Scarlett Johansson.

CULTURA? José Sócrates numa tentativa de minorar os problemas substitui de uma assentada três membros do Governo: Saúde, Cultura e Assuntos Fiscais. As pastas da Saúde e da Cultura têm sido os calcanhares de Aquiles de um Governo que prometeu mundos e fundos e tem sido dos mais polémicos dos últimos tempos. A confiança no Governo desceu a pique e o Primeiro-Ministro José Sócrates é hoje alvo de duras críticas e ódios de estimação. A sua legimitidade governativa morreu há muito. Não se trata, portanto, de substituir ministros, antes o que é crucial é substituir todo um governo, a começar precisamente pelo chefe do mesmo.

Isabel Pires de Lima, polémica e pouco capacitada ministra da Cultura, é substituída por José António de Melo Pinto Ribeiro, advogado próximo ao PS, presidente e fundador da Direcção do Fórum Justiça e Liberdades. Actualmente, Pinto Ribeiro, natural de Moçambique, exercia funções de administrador da PT Multimédia e da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea-Colecção Berardo.

Necessidades de mudanças à parte, a escolha de Pinto Ribeiro é no mínimo também ela polémica. Não só pelas suas afinidades partidárias — que pesarão mais do que as suas ligações à Cultura — como ainda pelas suas funções na PT e Colecção Berardo.

Esperemos que este esteja atento às necessidades culturais modernas, que seja capaz de responder a desafio de a Cultura num patamar que não de mero teor oficial. Sob pena de ser considerado mais um eleito de entre o “clube dos cavalheiros”.

SE QUERES SER BOM … morre ou desaparece, já diz o ditado popular. Suharto não só levou o ditado português a peito como é a personificação do mesmo. O Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, que determinou uma semana de luto nacional, deu início à cerimónia, apelando aos indonésios a prestarem «homenagem a um dos melhores filhos da Indonésia». Enquanto o governo e demais apoiantes do antigo ditador clamam pelo perdão e pelo papel histórico de Suharto, Putu Oka Sukanta, que passou uma década na prisão por seus ideais de esquerda remata: “Não consigo compreender porque é que tenho de perdoar a Suharto, se ele nunca admitiu as suas culpas”.

O perdão na hora da morte, o esquecimento e a piedade que a frágil condição humana originam, não pode servir de escape ao passado de massacre e repressão que representou o governo de Suharto. A bem do futuro há que chamar as coisas pelos nomes. Ou porque morreram, Hitler, Estaline, Mussolini, e tantos outros, deixam de ser filhos da puta e tornam-se meninos do coro?

»» sobre o governo de Suharto e controvérsia Alkatiri/Xanana

TERRORISMO EM PORTUGAL? POIS CLARO! ‘TÁ-SE MESMO A VER QUE SIM!


Os serviços secretos de Espanha andam a brincar connosco. Há uns séculos, os espanhóis levaram uns bofetões de uma profissional da indústria da panificação, e não deve passar um dia em que não pensem na vingança. Na semana passada comunicaram-nos que a Al Qaeda ameaça praticar actos terroristas em Portugal. E nós, parvos, acreditámos. Até onde chega a credulidade dos portugueses… Primeiro acreditámos no Sócrates, e agora nos espanhóis. Há que aprender a lição.

Como é evidente, só um terrorista muito estúpido é que vem exercer a profissão para cá. Com a vigilância que existe, hoje em dia, nos aeroportos, os terroristas só podem entrar no País de carro. E vir andar de carro para as nossas estradas é das decisões mais obtusas que uma pessoa pode tomar. É verdade que eles são suicidas, mas não exageremos. Vai uma grande diferença entre ser suicida e ser burro.

Por outro lado, os terroristas que tiverem a infeliz ideia de entrar no País terão de construir a bomba cá. Não se faz uma viagem Paquistão-Portugal com um engenho explosivo debaixo do braço. Há que ir a uma loja comprar peças. E é aqui que as chatices começam. «Esta peça, só mandando vir do estrangeiro, chefe. Daqui a duas semanas mete-se o Carnaval, por isso agora só em Março.»

Se o explosivo levar combustível, pior ainda. Eles que vejam o preço a que está a nossa gasolina, a ver se continua a apetecer-lhes rebentar coisas. É muito fácil apanhar terroristas em Portugal. São os tipos de turbante que estão nas bombas da Galp a chorar. Os que lá andam a chorar sem turbante somos nós.

E depois temos as contingências inerentes a uma actividade tão perigosa como é o fabrico de um engenho explosivo. O terrorista corre inúmeros riscos, o maior dos quais é ir parar a um hospital português. Basicamente, o sistema de saúde português oferece-lhe três hipóteses: pode morrer no caminho, pode morrer na sala de espera e pode morrer já dentro do hospital. É certo que o esperam 71 virgens no Paraíso, mas aposto que, para morrer num hospital português, o terrorista fica em lista de espera até as virgens serem septuagenárias, altura em que a virgindade perde muito do seu encanto.

Quando, finalmente, os terroristas conseguem reunir condições para construir a bomba, o prédio que tinham planeado mandar pelos ares já explodiu há dois meses, ou por mau funcionamento da canalização do gás, ou porque o esquentador de quatro ou cinco condóminos está instalado na casa de banho. Portugal pode ser um bom destino turístico, mas para fazer terrorismo não tem condições nenhumas.

# Ricardo Araújo Pereira in «Visão»

BLOG REVIEW: O blogue «Blasfémias» tem sido ao longo destes anos uma referência nacional, uma paragem obrigatória, um barómetro da política nacional vista pela direita. Quase quatro anos depois do post inicial o «Blasfémias» muda de casa. O grafismo contudo deixa muito a desejar. Nota-se que este não é um blogue do «TubarãoEsquilo».

Por falar em direita e blogosfera, é sempre incontornável lembrar a malta da «Coluna Infame». Pedro Mexia e Pedro Lomba recentemente reencontraram-se sob um mesmo tecto a que deram o nome de «gattopardo». Depois da rápida passagem pelo blogspot/blogger mudaram-se para a rede de Paulo Querido. Estranhamente, desde o dia 3 de Dezembro que não emitem nada para a blogosfera. Ironia ou não, o último post terminava com a mediática citação “por que no te callas?”. Terão afinal sido eles a calarem-se? Esperemos que não.

|||PECA POR REALISMO, AFINAL A REALIDADE É BEM PIOR:

BLOG REVIEW: A explusão da blogosfera origina uma pluralidade na oferta e uma selvática corrida aos números de links e visitas. É uma nova lógica de mercado cibernético que emerge. É por isso importante salientar paragens obrigatórias e postos de abastecimento de consumo literário. O blogue «Notas ao Café» é um dos casos mais interessantes da blogosfera portuguesa. Não é um blogue de grande visibilidade mas a qualidade está toda lá. Fosse ele assinado por Pacheco Pereira. Está de parabéns o seu autor, JN.

SUHARTO, XANANA E ALKATIRI: a presença de Xanana Gusmão, actual primeiro-ministro timorense, no funeral do ex-ditador da Indonésia, Suharto — cuja ditadura durou de 1967 a 1998, quando foi forçado a renunciar por uma crise económica e uma revolta popular — deixou Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro timorense, perplexo, considerando o acto “uma hipocrisia completa”.
Na nossa cultura, os mortos devem ser respeitados mas Xanana Gusmão nunca poderia ter ido a título pessoal (…) Temos que perdoar tudo, mas ninguém tem legitimidade para perdoar todos (…) Foi durante a Presidência de Suharto que a Indonésia invadiu Timor-Leste, que custou quase 300 mil mortos (…) A ida de Xanana Gusmão ao funeral, num avião da Polícia indonésia, foi um passo dado em falso, impensado, e cujo preço político será pago nas próximas eleições.

::Suharto em Jakarta na recepção ao presidente americano Gerald Ford e ao secretário de Estado Henry Kissinger, a 5 de Dezembro de 1975. Curiosamente a legenda apelida Suharto de «presidente». Há coisas que não mudam, e uma delas é a visão dos EUA. ::

O governo de Suharto foi marcado por uma intensa repressão política e gestão económica assente na corrupção. Suharto era acusado de causar prejuízos ao Estado no valor de 600 milhões de dólares e de construir uma fortuna ilícita de 35 biliões de dólares. Devido ao estado de saúde do ex-ditador, Abdul Rahman Saleh, procurador-geral da Indonésia, retirou as acusações contra Suharto, em 2006.

Morre em 2008 como mais um criminoso político que escapou impune.