Published in Equações Políticas
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SUHARTO, XANANA E ALKATIRI: a presença de Xanana Gusmão, actual primeiro-ministro timorense, no funeral do ex-ditador da Indonésia, Suharto — cuja ditadura durou de 1967 a 1998, quando foi forçado a renunciar por uma crise económica e uma revolta popular — deixou Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro timorense, perplexo, considerando o acto “uma hipocrisia completa”.
Na nossa cultura, os mortos devem ser respeitados mas Xanana Gusmão nunca poderia ter ido a título pessoal (…) Temos que perdoar tudo, mas ninguém tem legitimidade para perdoar todos (…) Foi durante a Presidência de Suharto que a Indonésia invadiu Timor-Leste, que custou quase 300 mil mortos (…) A ida de Xanana Gusmão ao funeral, num avião da Polícia indonésia, foi um passo dado em falso, impensado, e cujo preço político será pago nas próximas eleições.
::Suharto em Jakarta na recepção ao presidente americano Gerald Ford e ao secretário de Estado Henry Kissinger, a 5 de Dezembro de 1975. Curiosamente a legenda apelida Suharto de «presidente». Há coisas que não mudam, e uma delas é a visão dos EUA. ::
O governo de Suharto foi marcado por uma intensa repressão política e gestão económica assente na corrupção. Suharto era acusado de causar prejuízos ao Estado no valor de 600 milhões de dólares e de construir uma fortuna ilícita de 35 biliões de dólares. Devido ao estado de saúde do ex-ditador, Abdul Rahman Saleh, procurador-geral da Indonésia, retirou as acusações contra Suharto, em 2006.
Morre em 2008 como mais um criminoso político que escapou impune.
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