1 – Sabendo que a blogosfera é uma janela para a vida cibernética, como vê o fenómeno «blogue»?
Resposta – Permito-me reformular a questão «Sabendo que a … é uma janela «cibernética» para a vida, como vê…?» e ainda assim não encaro, não tenho a proliferação de blogues como um fenómeno. Creio, passe a imodéstia que, o «fenómeno» foi a mais do que esperada e previsível utilização de uma ferramenta gratuita, a maioria das vezes, que as pessoas sentiram estar ao alcance dos seus dedos. Daí à edição foi um salto de pardal. Mesmo que abordemos a questão pelo lado do utilizador, do editor ou do autor, também me parece que não será muito difícil perceber que a virtualidade, a ausência do físico, o impessoalismo, é condição, é atributo de peso para que muitos se lancem nestas «andanças».
2 – Quando acede à blogosfera que tipo de blogues procura?
Resposta – na blogosfera eu criei rotinas que vou ajustando ou afinando em conformidade ou de acordo com os meus interesses de ocasião; há no entanto uma «trave mestra». Há sítios que eu não frequento, ponto… como há sítios e blogues que não dispenso, ponto. Há blogues que eu não publicito como há blogues que ao saber da existência deles e se me agradam não faço favor em publicitá-los, sem favor. Rejeito como em tudo na vida a possibilidade de me encontrar nalguma «capela».
3 – O que o levou a criar um blogue?
Resposta – isso é uma longa conversa! Foram muitas e variadas, as razões. Um tanto de capricho meu, um tanto de sentir que me faria bem, muito por sentir que me assistia o direito de expôr as minhas opiniões sem me «bichanarem» aos ouvidos ou ter de olhar em redor para saber se vou ou não colidir com alguém e, também muito, porque aqui dou a minha opinião – o juízo, o valor, a credibilidade não me dizem respeito, dizem respeito a quem lê e/ou comenta - sem ter que solicitar os bons ofícios de quem quer que seja. Aqui emito opinião e não olho para o lado, olho para mim e considero apenas e só o que parece bem e correcto. Quem quer lê, quem não quer circula…
4 – Que balanço faz da sua estadia na blogosfera e da blogosfera actual?
Resposta – Da minha estadia só posso dizer que estou muito acima de todas as minhas expectativas iniciais. Nessa matéria nunca supús que alguma vez viesse a ter uma frequência como a que tenho – para mim entre quarenta a cinquenta pessoas à mesa é uma multidão. Tanto mais que nunca por nunca me passou a ideia de por esta via me alcandorar ao que fosse ou do blogue fazer umas “andas” que, eventualmente me dessem visibilidade. Exactamente por isso o «Pleitos…» foi, é e vai ser sempre um lugar unipessoal. Aqui prevalece a ideia de que, mal ou bem, mais vale só!
Da blogosfera actual está hoje melhor que ontem e mais credibilizada. Custa a muitos mas é a verdade.
5 – Acha que os blogues podem substituir a imprensa online?
Resposta- Não substituem, não vão substituir. O sentido não é blogues/imprensa; o sentido é imprensa/blogues. Habituem-se! os da imprensa.
6 – Em que medida os blogues influenciam ou influenciaram a sua vida e/ou actividade profissional?
Resposta – A minha actividade profissional não influenciaram nem vão influenciar pela simples razão de que sou empresário em nome individual. Quer dizer que não tenho que pôr o patrão a pagar a factura de eu em vez de estar a trabalhar estar a escrever ou a editar o blogue. O patrão sou eu e os meus clientes. Se eu falhar os meus clientes despedem-me. Ao contrário de muita gente que por exemplo, em repartições, em vez de estarem nos gabinetes a trabalhar estão a escrever… exemplos não os dou porque os conhece tão bem ou melhor do que eu. Sabe-se quem são! Basta lê-los.
A minha vida extra- profissional influenciou, e muito, como é óbvio. A distribuição do tempo antes era… agora tem de ser …
7 – O que faz um bom blogue?
Resposta – vou cingir-me, por uma questão de coerência, à minha qualidade de leitor de blogues. Os blogues tal qual os seus autores/editores têm biorritmo. Hoje melhor, amanhã nem tanto. Depende de muito… dos factos, das notícias, dependem até da disposição do autor. O que lhes confere uma grande autenticidade. E isso eu gosto. Sou um purista. Quando se dá ou se dá ou não vale a pena.
Eu valorizo muito a percepção que tenho da autenticidade do autor. Não me peçam para fazer destrinças entre o autor das linhas escritas e as linhas escritas ou as palavras ditas. Não posso o Blasfémias (que não leio) ou o Abrupto; não leio o Do Portugal profundo de modo igual à leitura que faço do Portugal Contemporâneo ou a que faço do Sobre o Tempo que Passa que não é a mesma que dou ao Jumento ou ao Macroscópio… todos os que apontei têm virtudes e defeitos, para mim. Uns interessam-me por isto outros por aquilo. Como o crédito que dou a Marcelo Rebelo de Sousa é diferente do que concedo a Miguel Sousa Tavares ou à indiferença que concedo a Jorge Coelho. Esse crédito depende muito da matéria, da temática e do interesse que vislumbro. As pessoas antes de emitirem opinião deveriam fazer declarações de interesses.
Mas reafirmo… para mim, a autenticidade e a honestidade intelectual, a seriedade que eu percepciono é o que mais conta. Posso enganar-me? pois posso! Cá estou para fazer os ajustes, as correcções de trajectória.
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