A NOTÍCIA DE que o governo pretende investigar as famílias beneficiárias do apoio estatal até pode cair bem, em nome da transparência e do acesso democrático aos apoios. Mas isto é em teoria, porque todos sabemos que aqueles que recebem sem ter necessidade continuarão a receber sem necessidade. Qual a razão? A do costume, os medos e os fantasmas étnicos. Enquanto não se passar à pós-racialidade das gestões sociais não haverá resolução, pelo menos democrática e igualitária.
DEVO CONFESSAR que aprecio bastante o programa “Ídolos”. Apesar de considerar que a participação da Diana é totalmente ilegal (contém conflitos de interesses com Manuel Moura dos Santos e atenta contra as regras do programa) admito que a considero uma interprete excelente, mesmo tendo no Filipe o meu favorito. Isto para dizer que partilho da sugestão de Pedro Boucherie Mendes, que deveriam ir os dois para Londres. Não apenas porque são de facto muito bons, aliás com condições para serem dos melhores artistas da música portuguesa, mas ainda mais porque considero que são os melhores finalistas da história do programa. Isso, sim, não é dizer pouco.
O NOME DIZ-LHE alguma coisa? Calculo que não. Mas esta bela jovem brasileira, de ascendência italiana, começou a cozinhar aos nove anos de idade, aos quinze dava conta do carpádio de grandes eventos, aos dezassete abre o seu primeiro restaurante e agora, aos vinte, é uma das chefs mais conceituadas de todo o continente americano.
LUA VERMELHA, a passar na SIC é, sem grandes dúvidas, uma série de baixíssima qualidade, das piores produções nacionais dos últimos tempos. Aproveitando o balanço dos filmes ”Crepúsculo” e “Lua Nova”, bem como das séries “Sangue Fresco” e “Diários doVampiro”, ambas a passar na RTP1, “Lua Vermelha” é, no fundo, uma espécie de “Morangos com Açúcar” mas com sabor a sangue…da pior qualidade. Fraco. Fraquinho.
O PRESIDENTE sul-africano Jacob Zuma tem sido alvo dos media por causa da sua conduta sexual e do seu casamento poligâmico. A laicidade social deve conter o respeito pela liberdade sexual, especialmente em África, onde a poligamia sempre fez parte dos costumes. O ethos africano não devia ser manipulado ao sabor de um catolicismo imposto.
JOSÉ SARAMAGO não tem interesse em encontrar-se com Bento XVI em Lisboa, numa iniciativa papal de encontro com personalidades do mundo da cultura. Nem Saramago Vasco Graça Moura, José Cutileiro ou Maria Teresa Horta estão interessados no que o Papa tem para dizer. A Igreja tem de perceber que deixou de fazer parte da agenda pública. Ela e os media, claro.
A CHINA continua, dia a dia, o seu périplo pelo imperialismo financeiro. A nova ameaça é a de aplicação de sanções comerciais às empresas norte-americanas caso os EUA continuem a insistir na venda de armamento a Taiwan. Eis que a América e o resto do mundo têm uma excelente oportunidade para porem fim a um comércio que só favorece a China. Mas presumo que vamos continuar a baixar a cabeça até que o horizonte seja a sola dos sapatos chineses.
p.s. e porque não impor um imposto elevado a cada produto produzido na China destinado ao mercado ocidental? A Nike quer produzir na China, onde os ténis lhes saem a 5 euros para serem vendidos a 100, então paga um imposto pesado para colocar no mercado europeu e americano. O mesmo aplicado aos produtos chineses. É possível? É. O Brasil já o faz.
O ESTADO PORTUGUÊS vai criar uma conta-poupança no valor de 200 euros por cada criança que nascer, à qual só terá acesso o beneficiário quando atingir os dezoito anos. O objetivo, diz-se, “visa incentivar a natalidade e a poupança e aumentar a capacidade de autonomia dos jovens, pelo fomento da igualdade de oportunidades“. É, sem dúvida, uma bela bandeira. Mas a verdade é que não são 400 euros mais ou menos que daqui a 18 anos vão resolver quaisquer problemas dos beneficiários. A grande verdade é aquela que não foi dita: a medida visa injetar dinheiro imediato nos bancos. O resto é camuflagem de guerra.
ÀS CUSTAS de acordos comerciais, da corrupção política e da violação dos direitos humanos a China capitalista (comunismo só nas cores) atingiu o estatuto de potência emergente. À sombra dele vai impondo a sua mão na ordem internacional, minando a democracia o mais que pode. O seu poder financeiro serve-lhe de moeda para implementar o seu imperialismo no mundo, sem soft power mas à base da crise alheia. Essa mão nada invísivel faz pressão em todas as frentes. A mais recente é a tentativa de coibir Obama de se reunir com Dalai Lama, esse prevaricador do status quo do repressivo regime de Pequim. Criámos um monstro com o qual sabemos lidar (ou não queremos).
SALVADOR MENDES DE ALMEIDA é um jovem que se viu atirado para a cadeira de rodas depois de um trágico acidente de mota. Mas não é apenas isso. É um jovem que chama a atenção para aqueles que por sua diferença se vêem relegados da sociedade, que se veem encurralados num mundo feito para a “normalidade”, seja lá o que isso for. Chama a atenção para aqueles que na rua tendemos a fingir não ver. Se o consideramos um exemplo de vida, consideremo-lo um exemplo para promovermos a inclusão.
TEMOS TIDO uma postura internacional marcada pelo maria-vai-com-as-outras-ismo. Falta-nos reflexão e vontade própria. Correndo o risco de me estar continuamente a repetir não posso deixar de exorcizar os demónios que me habitam, entre aspas. Quando aderimos, eufóricos, à moeda única esquecemos-nos de ter presente a necessidade de adequação dos salários ao novo custo de vida. Diziam os governantes “não muda nada”. Venderam-nos, claro, uma maçã envenenada. Mudou e não foi pouco. Continuámos a receber em escudos e passámos a pagar em euros. Um café que custava 50 escudos passou a custar 50 cêntimos, o que era 100 escudos passou a 1 euro, num golpe profundo às carteiras dos portugueses. Foi preciso passarem cinco anos (mais coisa menos coisa) para alguns economistas dizerem que a adesão à moeda única foi um erro de precipitação. Já era tarde.
A SEGUNDA maçã envenenada foi o acordo de trocas comerciais com a China. Em troca de exportarmos coisa alguma (porque elas não abrem as fronteiras) passámos a importar milhões de produtos chineses isentos de impostos, sem qualidade nenhuma, que destruíram a indústria portuguesa, ausente de proteção estatal. Vendemos mil «Magalhães» para eles copiaram e depois exportarem milhões iguais. Os têxteis, o calçado, os plásticos, enfim, toda a indústria nacional foi à vida, entregando ao desespero milhares de trabalhadores e uma boa centena de empresários. Em nome do quê? De alto valor estratégico internacional, aliás inexistente, comprámos à bruta maçãs envenenadas, e pior, fizémo-lo com particular gosto.
MÁRIO CRESPO é um dos muitos descontentes com o governo de José Sócrates. O jornalista da SIC tem redigido uma série de crónicas em que expressa claramente a sua opinião acerca do primeiro-ministro português. É livre de o fazer. Problemática é a acusão de que o chefe de governo o quer calar. Problemática por duas razões: primeiro porque se trata de uma suspeita baseada numa conversa de café, segundo, porque a ser verdade reflete um atentado grave contra a democracia e a liberdade de imprensa. Veremos no que dá.